Aquele que procura faíscas...
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Falácias e vidas despedaçadas

Falam, falam
E choram
Vítimas do mundo
mundanas
Coitadas, sempre sofridas
Chamam atenção e competem
Querendo ser sempre ouvidas
Passam por cima sem pesar
Pensam que se ocupar é amar
Esquecem-se das vísceras
Das premissas
Do caráter
E da própria carne
Engolem tudo
e enfiam tudo
Goela abaixo
E choram
E reclamam
Não acham que
estão por baixo
Pobres mundanas
Vítimas do mundo
Não sabem ainda o que é o castigo.

Perpetuando


Perpetuando
A ousadia liberta a alma encarcerada
Livre-se de suas amarras
Seja você e ame a bondade
Nada mais importa, só sua existência
Abra as suas portas e janelas
Deixe-as escancaradas
Vivemos para encontrarmos nossa essência
Somos únicos
Não devemos nada ao outro que reclama
Cada um segue o seu rumo e a quem ama
12/01/09:58

terça-feira, 12 de junho de 2012

Suplicando


Choro sempre e acho graça de um tudo. 
Busco em mim explicação, mas as estrelas do céu me deixam mudo. 
Meu desejo cala e sinto frio. 
Sem você na cama sou vazio. 

Quando nos veremos novamente?

Preciso do seu toque, cheiro, amor.
Suas mãos me arrepiam de prazer.
O gosto macio do seu beijo faz falta toda hora
e não consigo te esquecer...

Volta pra mim assim que ouvir minha súplica.
Por mais quanto tempo ficaremos sós?
Cada qual em seu canto sem conter o pranto,
sufocando fundo, lamentando, engolindo a voz...

O Dedão


http://fineartamerica.com/featured/say-hi-to-foot-elle-marcus.html

Já meio embriagada virava para cima e para baixo a carta do estrangeiro. De tanto carregar o pedaço de papel para todo canto o mesmo já começava a romper-se no meio. Resolveu inspirar fundo, relaxar o maxilar e fitar o corpo novamente, com a carta por cima do líquido inebriante.

A carta ainda estava lá. O amor ainda estava lá. Só quem não estava lá era ele. Havia virado o patuá de cabeça para baixo e em seguida ficou tão pensativa que coçou a orelha esquerda, enquanto o pé do mesmo lado repuxava num pouco de câimbra na sola.

A esta altura os movimentos involuntários estavam quase que incontroláveis e a rapariga coçava um pouco o cabelo, o rosto, tocava o anel do polegar direito e sorria para o nada. A circulação dava sinal de problema e ela mexia o dedão sorrindo para o pé pressionado pelo seu corpo cansado.

As coxas firmes tinham marcas arroxeadas. Era muito desastrada. Saiu da posição em que estava. Tirou o foco de si mesma. Do lado de fora os bichos cantavam e ela não se sentia mais encurralada. Era o dia que chegava e assim o medo ia embora.

Sentia-se quase livre. “Nos dias de hoje, o quase é pleno.”, pensava. “Foda-se a gramática!” Sentiu um cheiro estranho e cansou-se de ter o olfato apurado. Estalou o maxilar e esfregou a sobrancelha esquerda. O ombro direito foi o seguinte. E coçou a da direita arrumando e alisando o nariz quase que ao mesmo tempo.

Olhou suas mãos. Os cantos dos dedos doíam do insistir manual, mas a cabeça estava feliz, porque era tempo de festa. Ela não queria saber de lamúrias, pois as borboletas vivem pouco e morrem livres porque dão valor ao tempo. Olhava o dedão novamente. E a câimbra corria até a batata da perna.
Tudo culpa do dedão.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Luto ou Melancolia?




Silvia não viveu o luto. Viveu melancolia. Não sofreu a perda do homem amado; perdeu tudo o que ele também representava e trazia para sua vida. O luto, diferente da melancolia, é respeitado pela sociedade porque é tido como passageiro, dizia sua mãe psiquiatra. É um mal necessário para nos desligarmos do que não fará mais parte de nós.

Seu amor era infinito e sem medidas. Passava dias se isolando, marcando encontros secretos com amantes do passado em seus pensamentos. Na tentativa vã de fugir do sofrimento.

- Como amei!, pensava.
- Como ainda amo! sofria...

Dizem que o amor dura para sempre. Eu ainda amo muito e ao repetir isso no escuro meus olhos ficam molhados. Por que não te esqueço? Superei, eu sei. Mas por que dia e noite você invade meus pensamentos e sonhos? Será que você pensa em mim de forma serena? Será que eu ainda habito seus sonhos? Você tem raiva? Deseja voltar atrás? Mudar o que vivemos? Não viver o que aprendemos?

E assim Silvia preenchia seus dias melancólicos, pensando e repensando seus amores passados. E quanto mais o fazia, mais se afundava na melancolia.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Das Musas e do Amor

Nasci para ser musa
E vivo a repetir a mesma coisa

Não preciso ser musa de artista
De Carnaval ou de trovador

Eu só quero mesmo é ser 
a musa do meu amor.


























Cinzas Coloridas

Fazendo as pazes com a solidão
Encontrei o não

Não quero gente intrometida
Não quero amizade falida
Não quero escolha arrependida


Quero que a estrela brilhe
E que a chuva molhe
Quero abraço apertado
E não quem faz corpo mole

Quero sol azul de bicicleta
Praia, bosque
Pra sair na rua

E quero dia chuvoso
Cinza de preguiça, cama e eu, nua
Pra ficar na minha
Junto com você, na sua

Quero focar pra distrair
E sorrir pra me alegrar
Quero férias
Pra de mãos dadas caminhar

Sair correndo
E num mergulho, cair no mar
Quero você na minha vida
E desse jeito poder te amar




domingo, 15 de janeiro de 2012

Distância Dolorida


Saudade aqui quando dá fica.
Dói, dói e o coração se agita.
A voz embarga.
A lágrima escorre.
Mas não adianta fugir.
Pois a vida corre.
E é preciso partir.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Falar continua sendo fácil

Deixei as fotos da minha ex com meu melhor amigo. E minha coleção de pornografia também. Motivos diferentes, mas com a mesma função: tentar engrenar num novo relacionamento. Estou saindo com a Duda há 1 ano e meio já. Quando fizemos 7 meses ela disse que se incomodava com as revistas de mulher pelada no banheiro e os filmes pornôs na minha estante do quarto. Achei que era insegurança, mas minha amiga Carlinha disse que não, que tem mulher que não gosta mesmo. Continuei sem entender. Acho que pornografia apimenta o relacionamento, dá ideias boas ao casal. Quebra o gelo de experimentar coisas novas, sabe? E pra falar a verdade, o que é que tem de mais?! Estou num relacionamento estável com a Duda porque assim desejo.

Enfim. Não vou perder o fio da meada porque estou aqui mesmo é pra falar das tais fotos da minha ex, a Bia. Não tive coragem de jogar fora. Pois é.... Ela foi minha terceira namorada e a primeira (e única) que amei de verdade. Achei que fosse ser a mulher da minha vida e acabou não dando certo. Perguntei pra Carlinha o que ela achava de eu ainda ter fotos da Bia e ela se inflou toda. Disse ser um absurdo, que eu estava namorando há 1 ano e meio e que eu já devia ter feito uma faxina geral, nas lembranças físicas e na cabeça. Mas aí aconteceu uma coisa engraçada... Fui tomar um vinho depois do trabalho na casa da Carlinha e no meio da caixa das fotos de família tinha um álbum só com fotos de ex dela... Engraçado... No fiofó dos outros é refresco, né?
Moral da história: falar continua sendo fácil e conselho ainda não é vendido porque realmente não presta pros outros se não valeu pra você.

Para a seleção da Oficina Compartilhada

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Superexposição ou Emoção?


A onda vai

O vento vem

E o que mais queremos

Ninguém tem

Satisfação

É...

Quem vê Facebook

Não vê coração


Para a seleção da Oficina Compartilhada

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Menina Rendada



Garota rendada

Cheia de rococó

Coisa mais linda

Amiga, irmã, mãe, avó

Te amo menina

Mulher

Não perca a cabeça

Você adoça o mundo

Ame

E quando ficar pesado

Esqueça

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Confuso Horário


Rolava na cama e nada. Ficou com fome e resolveu comer duas bolachas salgadas com requeijão e uma fatia fina de peito de peru defumado. Já era tarde, mas com o estômago reclamando não tinha jeito, não conseguiria dormir.

O exílio voluntário permitiu que ela se conhecesse melhor. Já não mais se incomodava com os longos dias consigo mesma. Mas com as noites sim... Já havia tentado de tudo, mas o quentinho do corpo do homem acamado fazia uma falta danada.

Rolava e nada... Vinham ideias na cabeça e ela acendia a luz de cabeceira para tomar notas. Fragmentos de contos, as bonequinhas do livro infantil, a consultoria sobre redes sociais, a estrutura do livro burocrático e até a assessoria política... Tudo girava e só não era pior do que enjôo de birita. “Saco!”, esbravejava em voz alta.

Acordava e tinha uma rotina boa: água, leitura, café, escrita, cozinha, escrita, lanche-almoço, leitura, exercícios, caminhada boa, lerê, lerê, banho, vinhozinho, leitura, escrita e, finalmente, beijo melado... Embora detestasse rotina, essa era a melhor delas.

Nada... E quando eram assim as noites mal dormidas, afogava-se num copo cheio de fantasias e deixava a madrugada tomar conta de seus devaneios até que conseguisse dormir.

Para a seleção da Oficina Compartilhada


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Natureza Morta

E assim sendo, seu desejo mais secreto,
você me matou aos poucos pro mundo,
mas me manteve acesa
dentro do seu esconderijo mais profundo.

Certa de que não teve coragem de gritar
respeitei sua escolha
e devagarinho deixei de acreditar
cada dia um pouquinho
até deixar de te amar.

Mas amor assim não, não tem jeito
o que não se resolve vira defeito
não desaparece e só cresce,
cresce e cresce... dentro do peito

Como qualquer coisa que cala
qualquer coisa que odeia
qualquer coisa que abafa, sufoca
e chateia.

Abra os braços pra mim mais uma vez
Não deixe que se perca novamente
O que um dia foi forte o bastante
Pode voltar agora, nesse instante!

domingo, 19 de junho de 2011

Creme de Queijo

Passou o dia inteiro tentando encontrar uma receita simples e deliciosa de creme de queijo Neuchâtel . Nunca tinha ouvido falar nesse tipo de laticínio e queria que o resultado fosse perfeito, para comer com os morangos docinhos que haviam comprado.

Era tudo muito fácil, o dia a dia leve, leve.... O creme devia ser tão delicioso quanto o momento que estavam vivendo. Queijo Neuchâtel, creme de leite fresco, açúcar de confeiteiro, morangos bem vermelhos... Simples e delicioso. Tudo o que tinha que fazer era deixar na consistência certa. Não seria assim também com o amor? Achar a ‘consistência’ certa?

O amor fantasia de Vinicius, o amor para além do bem e do mal de Nietzsche... O de Drummond era grande, mas cabia no breve espaço de beijar. E Lennon nos ensinou que é como uma flor, “♫ you got to let it, you got to let it grow ♫”.

Para a seleção da Oficina Compartilhada

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vestido Envelope

Assustada demais com a coincidência, não conseguiu deixar de comentar com seu irmão sobre a data que veio na cabeça um dia depois do aniversário do primeiro casamento. Treze de junho de 2004. Foi o exato dia em que tudo começou.

Levantou-se cedo e escolheu a roupa que vestiria para o encontro. Não queria nada muito ousado, mas gostaria que fosse algo elegante que insinuasse suas belas formas. Escolheu um vestido sóbrio, porém decotado e marcando a cintura, do tipo envelope. “Genial a Diane Von Furstenberg, não existe nada mais feminino do que o wrap dress”, pensou alto sobre a estilista que entrou para a história.

Era a primeira vez que sentia-se sedutora. Lembrou-se da propaganda antiga do sutiã e achou que a primeira sedução também nunca é esquecida. Aquele homem seria dela e os dois mudariam seus rumos só porque ela acordou com vontade de ser dona do próprio caminho.

Já era hora de desafiar o mundo e seguir seu próprio coração em busca de satisfação pessoal. Era chegada a hora de tirar as próprias conclusões e sofrer as consequências. Ao final, tinha certeza, o saldo seria positivo.

E acreditava mesmo no que pensava. Pegou a bolsa e, sem nem mesmo passar maquiagem, saiu de casa para o encontro que transformaria a sua vida pelos próximos dez anos.

Para a seleção da Oficina Compartilhada

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Qual a saída?


Experimentava toda a sorte de sentimentos de confusão e abandono quando no auge da briga ele saía de casa e se instalava em um hotel qualquer, voltando para casa muitas vezes dias depois. Chorando. Transtornada, eu quebrava tudo que estava ao meu alcance. Desabando em pranto, dormia soluçando.

O pior era o dia seguinte. Não tinha muito com quem contar que fosse de extrema confiança. Se eu pedisse ajuda iria expor o problema real e ele já havia me deixado claro que aquele era o estilo de vida que queria levar, do contrário não teria se separado para estar comigo. Eu sentia falta da minha família, mas essa opção era absurda. E acabava procurando consolo no colo de amigos e amigas dele – mais tarde alguns se tornariam realmente meus bons amigos.

O relacionamento era claramente um jogo de poder e comecei a ter, com frequência, ondas de tristeza, que me valeram momentos de muito sofrimento, pois era bastante difícil disfarçar. A angústia de me tornar uma pessoa triste me invadia. Entristecida eu não teria mais nenhum valor. E foi quando me deparei com meu segundo maior medo: o de me tornar triste.

Para a seleção da Oficina Compartilhada

quinta-feira, 2 de junho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pote de Ouro ou Bilhete Premiado?


No fundo, no fundo, não era isso que eu queria? Me refazer? Refazer minha vida? Se configurava ali um bom recomeço. Tudo na lixeira virtual. De vez em quando vinha uma certa onda de não sei o que por não ter mais aqueles e-mails todos. Não sei se com o intuito de me refazer do tombo relendo as ameaças ou viajar mais uma vez nas palavras doces e sentimentos (que um dia foram) eternos.

E pensando assim, todas as lembranças amargas pareciam não existir. Apesar de tudo o amor insistia forte. Como se o caminho não importasse se o final fosse o pote de ouro ou um bilhete premiado. E refletindo sobre isso eu me perguntava se o considerava “O” pote de ouro ou “UM” bilhete premiado. Se fosse um bilhete eu ainda tinha chances de amar novamente. Mas para isso precisava jogar, porque bilhete premiado não se ganha como paixão avassaladora. Isso é coisa de pote de ouro. Para ter bilhete premiado é preciso querer. E eu ainda estava completamente perdida.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Horizonte é Seu

Perca o fôlego de amar, sorrir e escolher.
Escolha pra que a vida não escolha por você.
Passe vergonha e perca a linha.
Deixe que pensem que parece loucura.
Sinta-se livre pra ser feliz e não tenha medo de aventuras.
Crescer nem sempre é ficar chato, lento ou preocupado.
Não deixe o brilho da juventude em cada sopro de dificuldade.
Ser (ir)responsável também é aceitar as suas próprias regras.
Corra, viaje, dance, grite.
Sem olhar pra trás...
… a não ser que sua mão esteja carregando quem queira te acompanhar.