Falam, falam
E choram
Vítimas do mundo
mundanas
Coitadas, sempre sofridas
Chamam atenção e competem
Querendo ser sempre ouvidas
Passam por cima sem pesar
Pensam que se ocupar é amar
Esquecem-se das vísceras
Das premissas
Do caráter
E da própria carne
Engolem tudo
e enfiam tudo
Goela abaixo
E choram
E reclamam
Não acham que
estão por baixo
Pobres mundanas
Vítimas do mundo
Não sabem ainda o que é o castigo.
Aquele que procura faíscas...
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 5 de março de 2012
Devaneios
Saio entusiasmada pra escrever e me distraio com mensagens virtuais
Serão elas reais?
Será que existo?
Tinha na cabeça a mensagem perfeita
Agora perdi
Puta merda
E a cerveja no fim
Medo de quê?
Medo da vida
Medo de morrer?
Preciso carregar meu caderninho com esse medo de morrer
Serão elas reais?
Será que existo?
Tinha na cabeça a mensagem perfeita
Agora perdi
Puta merda
E a cerveja no fim
Medo de quê?
Medo da vida
Medo de morrer?
Preciso carregar meu caderninho com esse medo de morrer
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Mais um que vai
![]() |
| Banksy |
Senti
frio e resolvi olhar o calendário.
17 dias.
É o que falta para mais um
ano ficar para trás. Levanto para fazer um café e noto que a coluna
reclama. Dói há dias num misto de estresse e falta de exercício, mas o
frio não me ajuda. Desculpa esfarrapada, eu sei. Aproveito para ligar o
aquecedor e no caminho de volta para a mesa de escrevinhar não sei por
que lembro-me de meu pai. Acho que é só saudade. E em seguida surge o
pensamento que as pessoas têm muito medo de morrer, sim, mas têm muito
mais medo de viver. Paralisadas pelo desconhecido se trancam dentro de
seus corpos e não deixam a alma respirar. Tenho medo da morte, mas tenho
sede de viver. Viver o máximo que puder, para além dos meus limites.
Sem fronteiras. Os pensamentos confusos se embaralham. Executo várias
tarefas ao mesmo tempo: leio e-mails da família, textos de amor,
denúncias de falcatruas políticas, procuro aluguéis mais baratos e
admiro pinturas de séculos passados. O café me dá um pouco mais de
energia e a cabeça começa a funcionar melhor. Quem sabe amanhã eu não
corro na praia?
Para a seleção da Oficina Compartilhada
domingo, 10 de abril de 2011
Recomeço
Dividíamos cama e sonhos. E fui chamada a escrever seu epitáfio. No momento de transformar em palavras o homem que tão bem conheci, fiz uma viagem secreta aos anos findos de amiúde convivência. Era preciso ameaçá-lo para ser tratada com decência. E o silêncio seguia por dias. Eu, chorando miúdo e enfiando bilhetes por debaixo da porta. Ele, entrando e saindo colado ao telefone celular, transbordando indiferença.
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
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