Aquele que procura faíscas...
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sobre Gente

 
Hoje conversava com um conhecido que, entre diversas lamentações, enfatizava que a vida é muito difícil e que não aguentava mais o esforço enorme que tinha que fazer para que tudo desse certo em sua vida. Era a empreitada acadêmica que estava pesada demais, o trabalho pouco remunerado, os projetos que andavam lentamente... E acrescentou que, no meio disso tudo, ainda tinha eu, me preparando para mudar.

Mudar... Fiquei sem entender direito o que a afirmação carregava nas entrelinhas. Mas o fato é que ela desencadeou uma resposta imediata e sincera de minha parte: não precisamos de preparação para mudar. Isso já está dentro de nós mesmos e é só cair dentro. Quem prepara demais acaba não dando conta. Tem que ser natural, fazer parte da evolução da vida.

O grande clichê de que a vida é fácil e as pessoas é que complicam é a minha verdade. Ela pode ser até dura para uns ou bastante dura para outros, mas não é difícil, não. E falo isso sem pretensão alguma. Acredito no amor, acredito na sinceridade, acredito no talento e no esforço... Acredito no ser humano. E sei também que uns têm mais facilidade que outros para driblar os obstáculos e seguir em frente sem muito chororô.

Talvez por isso eu seja, muitas vezes, exageradamente positivo e desencanado. O que não significa que não sofra. Apenas não valorizo demais os perrengues que fazem parte da minha história. E não estou muito preocupado com o que os outros pensam de mim. Se eu te conheço vou (tentar) te cumprimentar e (sempre) conversar olhando nos olhos. Sou carinhoso, atencioso, tento fazer o bem e diversas vezes escorrego, porque sou gente.

Medo de mudar? Sobre vida e sobre gente, o melhor é ser contente.
 
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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Visão Periférica

“Está tudo bem, só estou cansado. Minhas ressacas não são mais as mesmas, estou ficando muito velho pra essas noitadas.” Encerrou a conversa assim, se enfiou na cama e dormiu a tarde inteira. E por que ela não acreditava no que ele estava dizendo? Apesar da pouca convivência, sabia bem das suas recaídas e como ficava depois.

Essa era, com certeza, uma delas.

Quando finalmente acordou ela disse que se preocupava. Ele estava prostrado. Ela? Com medo. Mais insegura do que com medo. Logo agora que tinham a chance de estar juntos, planos esquisitos ainda aconteciam. Escorregões que faziam ambos sofrer. Mas como se fazer entender? Não havia mesmo solução. O jeito era ter paciência. Muita paciência.


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