Aquele que procura faíscas...
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segunda-feira, 5 de março de 2012

This someone? It's not you.

Achei alguém melhor que você. E por que estou dando essa satisfação a mim mesma? Por que ainda não te esqueci? Por que quero em voz alta ouvir? Ou por que achei que não ia conseguir? A última é a resposta válida. Eu tinha certeza de que não conseguiria. E no entanto a vida é cheia de surpresas. Mas me engano. 

Apesar de ter conseguido, você está aqui, entranhado em mim. Estou impregnada de você. 

Cheia de ti até o pescoço, sem falar na alma.
Quando penso em vidas passadas e karmas e morte, penso em ti. Penso no todo que erramos e em tudo que deixamos. Penso nos erros, penso nos acertos, penso em todas as feridas. E penso na minha sorte. Sorte de poder seguir em frente e engolir todo o resto que está por vir. Penso muito e no entanto deveria pensar muito pouco. Sempre que penso realizo menos. 

Funciono melhor no instinto. 

Principalmente enquanto sorvo um vinho tinto.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Distância Dolorida


Saudade aqui quando dá fica.
Dói, dói e o coração se agita.
A voz embarga.
A lágrima escorre.
Mas não adianta fugir.
Pois a vida corre.
E é preciso partir.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Zzzzzzzzzzzzz

Não queria dormir de jeito nenhum. Lutava contra o sono com todas as suas forças e fazia pirraça na sala de estar. Quando já estava praticamente sendo arrastada para o quarto, o telefone tocou e correu para atender. Excelente desculpa para fazer um pouco mais de cera.

Era sua avó.

- Oi filhinha, tudo bem? É a vovó.

- Não quero dormir... (Disse, miando, a pequena.)

- É, filhota, tá meio cedo mesmo pra você dormir, né?

- Vó, não quero dormir... (O miado ficava ainda mais melado e ininteligível.)

- Vá pro seu quarto, querida. Obedeça à sua mãe. Peça à ela um filminho, assim você vai descansando até dar vontade de dormir. Que tal Alice no País das Maravilhas, que você adora?

- Huummm.... (E passou o telefone para o adulto mais próximo.)

Saiu da sala inconformada. Não estava com a menor vontade de dormir. Por que é que tinha que ir para o quarto? Por que não podia ficar ali mais um pouquinho? Estava tão divertido ouvir as conversas dos adultos na sala...

A mãe andava atrás dela, dando palavras de ordem: “Troque de roupa!”, “A camisola limpa está na cadeira!”, “Vai escovando os dentes enquanto eu vou pegar um pouco mais de vinho pro seu tio!”, “Não esqueça de...”. E ela se desligou do blábláblá, porque já não estava mais interessada. Queria ficar na sala, ou então nem daria ouvidos.

Vinte e cinco anos mais tarde o ocorrido veio à cabeça logo após ter colocado a pílula de melatonina na boca e ajustado o travesseiro entre as pernas - hoje também não estava com a mínima vontade de dormir. Não queria recorrer ao Rivotril, apesar da insistência médica. “Esses doutores hoje em dia não passam de traficantes de jaleco.”, pensava.

Que saudades tinha da sua avó.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A nostalgia dos Canalhas

Diálogos internos intermináveis novamente... Parece que o sentido da minha existência é aprender a conviver comigo mesma. Vai e volta a mesma situação. O Universo me testando... Então me pergunto: abrir a porta do carro para ela, acender o cigarro de uma mulher qualquer ou mesmo carregar peso para sua mãe, irmã ou amiga, pode estar fora de moda, mas virou motivo de vergonha?

É claro que o cara não TEM QUE fazer gentilezas, ele pode ser um tosco, um selvagem, um grosso. Do jeito que o ‘mercado’ está, pode até ser um completo imbecil e fanfarrão. Mas se ele for atencioso, carinhoso, gentil ou companheiro, mesmo que num momento de distração, será julgado de forma negativa? É preciso dar uma esculhambadinha para se sentir normal?

O canalha de Nelson Rodrigues era o vigarista do amor. Era o canalha não assumido que fazia gentilezas em nome de uma boa trepada. Hoje em dia nem isso. Nem mesmo a doçura do Canalha sobrevive. É óbvio que ele não vai pagar a conta. E oferecer o próprio guarda-chuva, só para dar uma romantizada? Nem pensar! Toda e qualquer atitude que contenha um mínimo de nobreza é espremida num canto escuro e lá apodrece, a passos largos.

"Hoje é muito difícil não ser canalha.

Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo." Nelson Rodrigues

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Qual a saída?


Experimentava toda a sorte de sentimentos de confusão e abandono quando no auge da briga ele saía de casa e se instalava em um hotel qualquer, voltando para casa muitas vezes dias depois. Chorando. Transtornada, eu quebrava tudo que estava ao meu alcance. Desabando em pranto, dormia soluçando.

O pior era o dia seguinte. Não tinha muito com quem contar que fosse de extrema confiança. Se eu pedisse ajuda iria expor o problema real e ele já havia me deixado claro que aquele era o estilo de vida que queria levar, do contrário não teria se separado para estar comigo. Eu sentia falta da minha família, mas essa opção era absurda. E acabava procurando consolo no colo de amigos e amigas dele – mais tarde alguns se tornariam realmente meus bons amigos.

O relacionamento era claramente um jogo de poder e comecei a ter, com frequência, ondas de tristeza, que me valeram momentos de muito sofrimento, pois era bastante difícil disfarçar. A angústia de me tornar uma pessoa triste me invadia. Entristecida eu não teria mais nenhum valor. E foi quando me deparei com meu segundo maior medo: o de me tornar triste.

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Imprecisos momentos

Tempo que passa, tempo que arrasta, tempo que muda, tempo que afasta... E os sonhos trazem tudo de volta sem permissão. Acordo com lembranças frescas e passo o dia todo no inconsciente. Penso em cada palavra, em cada sabor, em cada cheiro que vem na memória, tudo carregado de saudades.

O meu tempo hoje é brisa e sopra bem devagar...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

“Eu sou livre.”


Eu olhava no espelho e repetia, sem parar, querendo me livrar da dor. “Eu sou livre.” E pensava “comece com um abraço que passa”, mas não havia ninguém por perto para abraçar. E no final das contas ainda tinha que agradecer a minha própria loucura, que me permitia esquecer logo, aquilo que me consumia por dentro.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Às Avessas

Cansada de rimar saudades com tristeza
E escolha com solidão
Parti pra outras construções mais ousadas
Pinçando as palavras de forma aleatória
Pra que nada combinasse
E nem a pressa me distraísse
Perfume, brisa, choro, chocolate ou mata verde
Tudo ficava suspenso
Pra depois que a cabeça parasse de funcionar

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Batalha Indecisa

Entrar nas sombras, desaparecer, reaparecer e abraçar a certeza.
Viajar nos sentimentos é caminhar na busca pela felicidade?
Destruir tudo para reconstruir.
E reconstruir para reinventar...

Querer as sobras para fenecer, renascer e aceitar a incerteza.
Viajar nos pensamentos é caminhar na busca pela coragem?
Morrer um pouco para não julgar.
E viver demais para perdoar...

Se entregar ao desconhecido para se perder, se encontrar e aceitar a derrota.
Viajar nos caminhos é aceitar que a vida tem espinhos?
Amar no instante para esquecer.
E amar bastante para escolher...

Elementos

Com quantos elementos se faz uma memória?
Bagagem... Chegada.
Echarpe... Liberdade.
Salto alto... Celebração.
Copo de cristal... Brinde.
Perfume... Saudades.
Colchão macio... Amor.

E o que é preciso para apagar tantas outras?
Colírio... Lágrimas.
Espelho de bolso... Cuidado.
Lenço de papel... Carinho.
Sapato Apertado... Coragem.
Avião... Partida.
Cama vazia... Sofrer.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Adaptação

Às vezes as saudades servem para nos dizer
que perto pode não estar dando muito certo,
mas longe é inviável viver.

Acordou cedo demais, no entanto sabia que precisava descansar e permaneceu na cama agarrada aos travesseiros. A cabeça recebia ataques de pensamentos e a técnica de prestar atenção na respiração não estava funcionando muito bem. Começou a ouvir o vizinho de cima. A cama rangia cadenciada e ela rolava na cama pensando na harmonia. Talvez se arrancasse de si o desejo latente conseguisse dormir novamente...
..
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Descompasso

Crônicas banais de vida quase iguais. E a vida é como ela é. Romantismo, saudades, agressões, falta de limites, drogas, traições, bebedeiras, solidão, recalques, desejos homossexuais recalcados, paixões não convencionais, preferências bizarras, manias vergonhosas... Corações partidos, corações unidos.

O que importa não é a temática, mas a maneira como a enfrentamos. Não existem padrões. Não existem receitas ou fórmulas mágicas. Homens e Mulheres se esbarram em busca da convivência ideal, mas se esquecem de esquecer os modelos existentes.

Medrosos dos desejos mais íntimos, das memórias inconfessáveis, das atitudes impensadas, engessam-se num mundo esquisito, onde a liberdade e a espontaneidade desaparecem e viram tristeza, amargura e solidão. Trancados na caretice, nas regras, nas convenções sociais e nos consultórios psiquiátricos atropelam-se sem parar, fazendo vítimas em cada esquina.


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terça-feira, 12 de abril de 2011

Enregelamento

Sinto tanto frio que chego a pensar se não é saudade disfarçada de climatempo...

E de tanto lutar contra o frio e o sono, perdida em filosofias pós modernas, decidi colocar uma meia quentinha e tomar duas valerianas, porque insônia em véspera de lua cheia provoca pensamentos contraditórios, que o Ministério da Saúde Adverte.

domingo, 10 de abril de 2011

Recomeço

Dividíamos cama e sonhos. E fui chamada a escrever seu epitáfio. No momento de transformar em palavras o homem que tão bem conheci, fiz uma viagem secreta aos anos findos de amiúde convivência. Era preciso ameaçá-lo para ser tratada com decência. E o silêncio seguia por dias. Eu, chorando miúdo e enfiando bilhetes por debaixo da porta. Ele, entrando e saindo colado ao telefone celular, transbordando indiferença.

E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.

Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.

Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?

E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

... Reticências... Hoje e sempre...

"Eu te amo, eu te amo! Quero atravessar a barreira virtual e ser sua!”

O caminho não morre, mas a estrada muda. Portanto, esperar (apostar!) ou decidir logo é uma questão de timing... Apressar-se ou não pode poupar-lhe percalços ou oferecer-lhe atalhos. Por que quando enxergo tudo tem uma névoa, uma neblina fina e suave, que inebria os sentidos? E quando olho não chega a ser diferente? Tem apenas menos magia... Mas tão cheio dela no entanto! A mágica nunca me abandona. Poções, superstições, rezas e credos. Não importa a origem, mas sim o resultado!

Como o otimismo agrega e repele. Tem quem ache que ele é fantasioso, ao ponto de enojar pessoas de estômago forte. Então, preciso de um refil... Reticências, reticências... Hoje estou cheia delas. Como se elas preenchessem as lacunas necessárias - o que o óbvio gostaria que fizessem sempre, mas agora, elas realmente funcionam!

Meus dedos ficam mais ágeis quando estou sozinha com meus pensamentos. A digitação e os devaneios caminham juntos, como melhores amigos. Mentira. Como amantes comprometidos. Câimbras... Sim. As sinto quando não estou alerta. Me pegam desprevenidas, como um castigo dos Infernos. Reticências...

Reticências hoje e sempre...

Reticências, reticências....

Elas novamente...

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Caipirinha Sentimental

Todas já inebriadas quando, de repente, conversas paralelas transbordam dos copos cheios de mágoas. Como foi que deixou para trás, por pura vaidade, a fonte de seu prazer carnal? Hoje choram as entranhas suspirando fundo de saudades. Confusa e sem saber o que fazer, derrama a dor na mesa do bar. “Mais uma caipirinha, por favor.” As amigas não tão mais jovens assim se diferenciavam dela pela maior leveza com que levavam a vida. Seus olhos carregados denunciavam noites mal dormidas e muita bebida. Ah, e uma certa amargura também. Desde que fora trocada por uma moça mais jovem que tenta achar seu lugar nesse mundo embaralhado. Sem profissão, sem marido e sem chão.

Tentava se consolar no fato de a jovenzinha ser mais feia. E desengonçada também. Mas o alívio durava pouco. "E daí? Ela com ele, eu sozinha." E toda vez que admitia em voz alta que o casamento acabara por que tinha que acabar, sufocava no fundo da alma a possibilidade de ter sido traída. “Mas Diabos, o problema é que acabou! Não importa tanto agora.” Pensava, entre um gole e outro. E em meio às inúmeras frases feitas que eram jorradas para que ela se sentisse melhor, finalmente admitiu que sentia falta do rapaz. “Mais uma, quero sim!”, exclamou com dedo em riste. E todas também pediram mais uma rodada de chopp.

Genial esse negócio de internet. No meio da confusão de seus 55 anos de vida surgia esse jovem de 30 anos, interessado no seu corpo já não tão atraente e na sua cabeça cheia de histórias. Sincero, admitiu não querer compromisso e até ter outras namoradas. Sua indiferença durou pouco. Quanto mais afinidade tinham na cama, mais ela se incomodava em não ser exclusiva. Mas quanta bobagem! Depois de tudo o que já passou, porque não aproveitar sem cobranças? Agora ali estava a lamentar.

O outro namorado mais velho que tinha finalmente fez a escolha e levou uma das parceiras para conviver com a família. Este ela não queria mais, por puro princípio. Se ele resolveu assumir compromisso, ela não queria levar o rótulo de “a outra” e ter de se contentar com as migalhas que restassem. Se ele resolveu assumir compromisso, que arrume outra mulher para desempenhar o papel de amante. Agora o que tinha que fazer era reunir forças para procurar seu jovem rapaz. Suspiro longo. “A conta, por favor?”

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Chuva Encantada

Às vezes quando chove parece que o dia chora

Chora as decisões reprimidas

E as Madalenas arrependidas

Chora a vida, chora a morte

E chora as dores vividas

Jorra tanta água abaixo

Que parece até partida


Lágrima é pranto

Mas também tem seu encanto

E jorrando essa água toda

Me perdi em pensamentos

E vi que o que dói hoje

Logo passa com o tempo

Samba da Tempestade

A chuva que cai lá fora, apavora
A morena sozinha canta, e se levanta!
Mas a dor que vai e vem em desalento, já faz tempo
Eu me arrebento
Não sai mais do coração
Ela precisa entoar, o canto que vem de dentro
Mesmo sentindo o cheiro que traz o vento
O cheiro da multidão
A força da tempestade
Rima lá com a saudade
Que veio foi pra ficar
E não adianta nada
Perder a sua mocidade
Chorando no vão altar
Vai sambar!!

Cama Vazia

Quem cala consente

Mas também mente

A não resposta de hoje

É o desejo de amanhã

Se eu te pergunto, garoto

E você não me diz

E porque de um modo

Não me quer fazer infeliz

Eu fico quieta e espero, quem sabe um dia talvez

Eu te terei em minha cama não hoje,

Mas pelo menos mais uma vez