Aquele que procura faíscas...
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terça-feira, 12 de junho de 2012

O Dedão


http://fineartamerica.com/featured/say-hi-to-foot-elle-marcus.html

Já meio embriagada virava para cima e para baixo a carta do estrangeiro. De tanto carregar o pedaço de papel para todo canto o mesmo já começava a romper-se no meio. Resolveu inspirar fundo, relaxar o maxilar e fitar o corpo novamente, com a carta por cima do líquido inebriante.

A carta ainda estava lá. O amor ainda estava lá. Só quem não estava lá era ele. Havia virado o patuá de cabeça para baixo e em seguida ficou tão pensativa que coçou a orelha esquerda, enquanto o pé do mesmo lado repuxava num pouco de câimbra na sola.

A esta altura os movimentos involuntários estavam quase que incontroláveis e a rapariga coçava um pouco o cabelo, o rosto, tocava o anel do polegar direito e sorria para o nada. A circulação dava sinal de problema e ela mexia o dedão sorrindo para o pé pressionado pelo seu corpo cansado.

As coxas firmes tinham marcas arroxeadas. Era muito desastrada. Saiu da posição em que estava. Tirou o foco de si mesma. Do lado de fora os bichos cantavam e ela não se sentia mais encurralada. Era o dia que chegava e assim o medo ia embora.

Sentia-se quase livre. “Nos dias de hoje, o quase é pleno.”, pensava. “Foda-se a gramática!” Sentiu um cheiro estranho e cansou-se de ter o olfato apurado. Estalou o maxilar e esfregou a sobrancelha esquerda. O ombro direito foi o seguinte. E coçou a da direita arrumando e alisando o nariz quase que ao mesmo tempo.

Olhou suas mãos. Os cantos dos dedos doíam do insistir manual, mas a cabeça estava feliz, porque era tempo de festa. Ela não queria saber de lamúrias, pois as borboletas vivem pouco e morrem livres porque dão valor ao tempo. Olhava o dedão novamente. E a câimbra corria até a batata da perna.
Tudo culpa do dedão.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Desgraça!


Vou me casar!

Desgraça, desgraça!

É quase madrugada e eu aqui falando comigo mesmo. Desgraça! O que fazer depois do sanduíche de rosbife?

Trecheira difícil de engolir. Cansado. Cansado. Cansado de tudo e do nada. Vem amor, a poesia é livre. Vem e vem porque o dia é vivre. E verde de viver, roxo de matar e morrer. Vida louca, vida de acontecer.

Vou casar, vou casar!

Mate-me, por favor!

Vou casar!

Aonde está o meu amor?!?!

Linda mulher passeia no abismo... Passeia, passeia... E sente saudades. Quem é ela? Quem sofre. Ela é linda e é o retrato da morte.

Moça linda, vou me casar. Vem cá, vem cá! Aonde você está?

E a cachaça, sempre ela. Volta e meia aparece. E desaparece. E volta. Maldita! A bendita da cachaça.... Mas nunca é bom partir.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

... Reticências... Hoje e sempre...

"Eu te amo, eu te amo! Quero atravessar a barreira virtual e ser sua!”

O caminho não morre, mas a estrada muda. Portanto, esperar (apostar!) ou decidir logo é uma questão de timing... Apressar-se ou não pode poupar-lhe percalços ou oferecer-lhe atalhos. Por que quando enxergo tudo tem uma névoa, uma neblina fina e suave, que inebria os sentidos? E quando olho não chega a ser diferente? Tem apenas menos magia... Mas tão cheio dela no entanto! A mágica nunca me abandona. Poções, superstições, rezas e credos. Não importa a origem, mas sim o resultado!

Como o otimismo agrega e repele. Tem quem ache que ele é fantasioso, ao ponto de enojar pessoas de estômago forte. Então, preciso de um refil... Reticências, reticências... Hoje estou cheia delas. Como se elas preenchessem as lacunas necessárias - o que o óbvio gostaria que fizessem sempre, mas agora, elas realmente funcionam!

Meus dedos ficam mais ágeis quando estou sozinha com meus pensamentos. A digitação e os devaneios caminham juntos, como melhores amigos. Mentira. Como amantes comprometidos. Câimbras... Sim. As sinto quando não estou alerta. Me pegam desprevenidas, como um castigo dos Infernos. Reticências...

Reticências hoje e sempre...

Reticências, reticências....

Elas novamente...

Para a seleção da Oficina Compartilhada

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Caipirinha Sentimental

Todas já inebriadas quando, de repente, conversas paralelas transbordam dos copos cheios de mágoas. Como foi que deixou para trás, por pura vaidade, a fonte de seu prazer carnal? Hoje choram as entranhas suspirando fundo de saudades. Confusa e sem saber o que fazer, derrama a dor na mesa do bar. “Mais uma caipirinha, por favor.” As amigas não tão mais jovens assim se diferenciavam dela pela maior leveza com que levavam a vida. Seus olhos carregados denunciavam noites mal dormidas e muita bebida. Ah, e uma certa amargura também. Desde que fora trocada por uma moça mais jovem que tenta achar seu lugar nesse mundo embaralhado. Sem profissão, sem marido e sem chão.

Tentava se consolar no fato de a jovenzinha ser mais feia. E desengonçada também. Mas o alívio durava pouco. "E daí? Ela com ele, eu sozinha." E toda vez que admitia em voz alta que o casamento acabara por que tinha que acabar, sufocava no fundo da alma a possibilidade de ter sido traída. “Mas Diabos, o problema é que acabou! Não importa tanto agora.” Pensava, entre um gole e outro. E em meio às inúmeras frases feitas que eram jorradas para que ela se sentisse melhor, finalmente admitiu que sentia falta do rapaz. “Mais uma, quero sim!”, exclamou com dedo em riste. E todas também pediram mais uma rodada de chopp.

Genial esse negócio de internet. No meio da confusão de seus 55 anos de vida surgia esse jovem de 30 anos, interessado no seu corpo já não tão atraente e na sua cabeça cheia de histórias. Sincero, admitiu não querer compromisso e até ter outras namoradas. Sua indiferença durou pouco. Quanto mais afinidade tinham na cama, mais ela se incomodava em não ser exclusiva. Mas quanta bobagem! Depois de tudo o que já passou, porque não aproveitar sem cobranças? Agora ali estava a lamentar.

O outro namorado mais velho que tinha finalmente fez a escolha e levou uma das parceiras para conviver com a família. Este ela não queria mais, por puro princípio. Se ele resolveu assumir compromisso, ela não queria levar o rótulo de “a outra” e ter de se contentar com as migalhas que restassem. Se ele resolveu assumir compromisso, que arrume outra mulher para desempenhar o papel de amante. Agora o que tinha que fazer era reunir forças para procurar seu jovem rapaz. Suspiro longo. “A conta, por favor?”

Para a seleção da Oficina Compartilhada

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Marchinha Neles!

Bêbada, largada, descompensada

Pensei logo nas marchinhas de Carnaval

No dia a dia não pode,

Mas no Carnaval, boemia, fode!

A patifaria reina

E durante os 7 dias a roupa queima...

Quarta de Cinzas

Às vezes minha alegria

É um estado de tristeza

Porque mesmo triste, alegre estou


Às vezes nem tudo passa

Mergulhando na cachaça

Ou bebendo o que restou


Por falta de sorte

Quantos versos lancei à morte?

Por descaso, diria ao certo meu caro irmão

Que outrora havia sequer conquistado seu ganha pão!


E, de repente, como num vendaval

Minhas lamúrias impetuosas

Viravam marchinhas de Carnaval


Merecidamente, pensaria eu

Já que sempre corri atrás

Mas às vezes mesmo o Mundo

Se sem sentido, não satisfaz


Quando me peguei finalmente escrevendo

Me deu um alívio, estou vivendo!

E o medo a me perguntar

Será que vai acabar?


Mas logo percebi

Bobagem!

Há tempos não tinha coragem

E o grande lance é tentar