Falam, falam
E choram
Vítimas do mundo
mundanas
Coitadas, sempre sofridas
Chamam atenção e competem
Querendo ser sempre ouvidas
Passam por cima sem pesar
Pensam que se ocupar é amar
Esquecem-se das vísceras
Das premissas
Do caráter
E da própria carne
Engolem tudo
e enfiam tudo
Goela abaixo
E choram
E reclamam
Não acham que
estão por baixo
Pobres mundanas
Vítimas do mundo
Não sabem ainda o que é o castigo.
Aquele que procura faíscas...
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 7 de março de 2014
Leito de Morte
sexta-feira, 4 de maio de 2012
De mansinho?
Começou como intuição. Ela apenas sabia. Um olhar apenas e... Boom!! No momento seguinte estava acordando e dormindo pensando nele. No olhar dele. Nas mãos dele. No corpo, no cheiro, no gosto... Nele. Tinha mãos mágicas. E a vida marcada. Como todas as outras, mas diferente. Não tinha urgência. Era contente.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Da Solidão Sem Fim II
Escuridão
Vem a noite e esqueço o que busco e o que sou
Assim meditando volto ao ponto de partida
Recobro a serenidade esquecida
E faço as pazes com a solidão.
Para a seleção da Oficina Compartilhada
terça-feira, 17 de abril de 2012
Ervas Daninhas
Prefiro a vida breve de uma borboleta a viver mil anos com o peso de ter secado um rio.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Falta de Grandeza
“Foi
de mesquinharia em mesquinharia,
de pequena em pequena coisa,
que
finalmente as grandes coisas se formaram.”
Michel Foucault
As meninas tinham
de um tudo. Casa grande, cada qual com seu quarto e carro sempre do
ano. O dinheiro nunca faltava e os passeios variavam entre balneários
ensolarados e restaurantes da moda. Não chegava a ser uma vida luxuosa,
mas era, com certeza, uma vida boa. E duas delas, pois moravam juntas
sem os pais, que se aposentaram e foram morar de Cruzeiro em Cruzeiro:
suíte com quarto separado, cama Queen size e varanda privativa. Na 'sala
de estar' tinham até um bom sofá, decorada com restos da casa de campo!
(Assim não precisavam nem de visitas, se entretinham com a população
flutuante que entrava e saía do navio.)
E as irmãs assim viviam, cada qual cuidando de sua vida, mas sem cuidar muito da casa. Dentro da residência a competição era grande. Quem vai lavar a louça? Quem vai limpar a área de uso comum? As compras de mercado então eram o grande debate. Ninguém queria comprar alvejante para o lavabo da sala de estar. Contavam migalhas e vinténs apesar de serem ambas bem sucedidas e ainda ganharem mesada do avô abastado. Quem olhava de fora nada entendia. Para quê tanta mesquinharia? Se pouco tivessem agiriam diferente? Com certeza as perguntas não eram fácil de responder.
Algumas mesquinharias mudam vidas, enquanto outras são facilmente esquecidas. Mas o acúmulo de pequenas mesquinharias é tão danoso quanto um copo de birita ao lado da cabeceira. O sujeito vai dormir embriagado e quando acorda dá aquela golada no copo de vodka aguada. E pior ainda é fumante apagando cigarro em lata de cerveja sem ao menos amassá-la para dar a impressão de usada. Vem um bêbado sedento e toma aquela coisa horrível, cheia de guimbas... Enfim. Ainda não há como saber o que pode acontecer com as irmãs, mas que a mesquinharia envenena a amizade, ah, isso já está acontecendo.
E as irmãs assim viviam, cada qual cuidando de sua vida, mas sem cuidar muito da casa. Dentro da residência a competição era grande. Quem vai lavar a louça? Quem vai limpar a área de uso comum? As compras de mercado então eram o grande debate. Ninguém queria comprar alvejante para o lavabo da sala de estar. Contavam migalhas e vinténs apesar de serem ambas bem sucedidas e ainda ganharem mesada do avô abastado. Quem olhava de fora nada entendia. Para quê tanta mesquinharia? Se pouco tivessem agiriam diferente? Com certeza as perguntas não eram fácil de responder.
Algumas mesquinharias mudam vidas, enquanto outras são facilmente esquecidas. Mas o acúmulo de pequenas mesquinharias é tão danoso quanto um copo de birita ao lado da cabeceira. O sujeito vai dormir embriagado e quando acorda dá aquela golada no copo de vodka aguada. E pior ainda é fumante apagando cigarro em lata de cerveja sem ao menos amassá-la para dar a impressão de usada. Vem um bêbado sedento e toma aquela coisa horrível, cheia de guimbas... Enfim. Ainda não há como saber o que pode acontecer com as irmãs, mas que a mesquinharia envenena a amizade, ah, isso já está acontecendo.
Para a seleção da Oficina Compartilhada
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Ladrona [sic]
Roubo vidas
Escrevo pra me livrar das palavras
Merda é bosta
E quem fala gosta
Deus não ajuda
E nem a folha de arruda
Levante pra sacudir a poeira
Ou então pra fazer a feira
Saia da frente que eu vou cuspir
E se ficar...
... sou eu quem vai sair
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Sobre Gente
Hoje
conversava com um conhecido que, entre diversas lamentações, enfatizava
que a vida é muito difícil e que não aguentava mais o esforço enorme
que tinha que fazer para que tudo desse certo em sua vida. Era a
empreitada acadêmica que estava pesada demais, o trabalho pouco
remunerado, os projetos que andavam lentamente... E acrescentou que, no
meio disso tudo, ainda tinha eu, me preparando para mudar.
Mudar... Fiquei sem entender direito o que a afirmação carregava nas entrelinhas. Mas o fato é que ela desencadeou uma resposta imediata e sincera de minha parte: não precisamos de preparação para mudar. Isso já está dentro de nós mesmos e é só cair dentro. Quem prepara demais acaba não dando conta. Tem que ser natural, fazer parte da evolução da vida.
O grande clichê de que a vida é fácil e as pessoas é que complicam é a minha verdade. Ela pode ser até dura para uns ou bastante dura para outros, mas não é difícil, não. E falo isso sem pretensão alguma. Acredito no amor, acredito na sinceridade, acredito no talento e no esforço... Acredito no ser humano. E sei também que uns têm mais facilidade que outros para driblar os obstáculos e seguir em frente sem muito chororô.
Talvez por isso eu seja, muitas vezes, exageradamente positivo e desencanado. O que não significa que não sofra. Apenas não valorizo demais os perrengues que fazem parte da minha história. E não estou muito preocupado com o que os outros pensam de mim. Se eu te conheço vou (tentar) te cumprimentar e (sempre) conversar olhando nos olhos. Sou carinhoso, atencioso, tento fazer o bem e diversas vezes escorrego, porque sou gente.
Medo de mudar? Sobre vida e sobre gente, o melhor é ser contente.
Mudar... Fiquei sem entender direito o que a afirmação carregava nas entrelinhas. Mas o fato é que ela desencadeou uma resposta imediata e sincera de minha parte: não precisamos de preparação para mudar. Isso já está dentro de nós mesmos e é só cair dentro. Quem prepara demais acaba não dando conta. Tem que ser natural, fazer parte da evolução da vida.
O grande clichê de que a vida é fácil e as pessoas é que complicam é a minha verdade. Ela pode ser até dura para uns ou bastante dura para outros, mas não é difícil, não. E falo isso sem pretensão alguma. Acredito no amor, acredito na sinceridade, acredito no talento e no esforço... Acredito no ser humano. E sei também que uns têm mais facilidade que outros para driblar os obstáculos e seguir em frente sem muito chororô.
Talvez por isso eu seja, muitas vezes, exageradamente positivo e desencanado. O que não significa que não sofra. Apenas não valorizo demais os perrengues que fazem parte da minha história. E não estou muito preocupado com o que os outros pensam de mim. Se eu te conheço vou (tentar) te cumprimentar e (sempre) conversar olhando nos olhos. Sou carinhoso, atencioso, tento fazer o bem e diversas vezes escorrego, porque sou gente.
Medo de mudar? Sobre vida e sobre gente, o melhor é ser contente.
Para a seleção da Oficina Compartilhada
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Mais um que vai
![]() |
| Banksy |
Senti
frio e resolvi olhar o calendário.
17 dias.
É o que falta para mais um
ano ficar para trás. Levanto para fazer um café e noto que a coluna
reclama. Dói há dias num misto de estresse e falta de exercício, mas o
frio não me ajuda. Desculpa esfarrapada, eu sei. Aproveito para ligar o
aquecedor e no caminho de volta para a mesa de escrevinhar não sei por
que lembro-me de meu pai. Acho que é só saudade. E em seguida surge o
pensamento que as pessoas têm muito medo de morrer, sim, mas têm muito
mais medo de viver. Paralisadas pelo desconhecido se trancam dentro de
seus corpos e não deixam a alma respirar. Tenho medo da morte, mas tenho
sede de viver. Viver o máximo que puder, para além dos meus limites.
Sem fronteiras. Os pensamentos confusos se embaralham. Executo várias
tarefas ao mesmo tempo: leio e-mails da família, textos de amor,
denúncias de falcatruas políticas, procuro aluguéis mais baratos e
admiro pinturas de séculos passados. O café me dá um pouco mais de
energia e a cabeça começa a funcionar melhor. Quem sabe amanhã eu não
corro na praia?
Para a seleção da Oficina Compartilhada
sábado, 10 de dezembro de 2011
Joia Rara
Minha vida é única:
Singulares momentos.
Aqui não tem espaço para nada que já foi feito um dia.
Repeteco: o consolo dos medrosos. O alívio dos babacas.
Entro de cara nessa empreitada especial de ser eu mesma.
Faço cada momento valer a minha exclusiva existência.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Mundo Inventado
Eu
sei que a vida deu uma volta enorme. Mais do que isso, eu sei. Mas eu
sei também que comi cada cheiro de poeira que passou pelo meu caminho.
Eu quis te dizer isso o tempo todo e quis também demonstrar, sem sucesso
- pois ao mesmo tempo fugi de medo. Pavor!
Hoje minha cama está vazia.
Mas ela nem sempre está vazia... Só que, mesmo cheia, não fica quente de
jeito algum. Ou nunca ficará... Te liguei com uma desculpa esfarrapada,
é verdade. Eu não te esqueci e não vou esquecer jamais. Não é parte de
nenhuma doença esse revelar. É parte da minha sanidade. Eu posso ser
feliz com um mundo inventado - eu nasci para inventar. Escrevo sobre
vidas e reinvento a minha o tempo todo. E não tem nada que me traga mais
felicidade do que relembrar o que vivemos....
Me
desculpe, mais uma
vez, por evocar um passado presente. Eu vou te amar pra sempre.
Intensamente. Mas vou amar um ser que não existe mais. Um brinde ao
presente futuro. Ou seria futuro presente?
Para a seleção da Oficina Compartilhada
quinta-feira, 2 de junho de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Descompasso
Crônicas banais de vida quase iguais. E a vida é como ela é. Romantismo, saudades, agressões, falta de limites, drogas, traições, bebedeiras, solidão, recalques, desejos homossexuais recalcados, paixões não convencionais, preferências bizarras, manias vergonhosas... Corações partidos, corações unidos.
O que importa não é a temática, mas a maneira como a enfrentamos. Não existem padrões. Não existem receitas ou fórmulas mágicas. Homens e Mulheres se esbarram em busca da convivência ideal, mas se esquecem de esquecer os modelos existentes.
Medrosos dos desejos mais íntimos, das memórias inconfessáveis, das atitudes impensadas, engessam-se num mundo esquisito, onde a liberdade e a espontaneidade desaparecem e viram tristeza, amargura e solidão. Trancados na caretice, nas regras, nas convenções sociais e nos consultórios psiquiátricos atropelam-se sem parar, fazendo vítimas em cada esquina.
O que importa não é a temática, mas a maneira como a enfrentamos. Não existem padrões. Não existem receitas ou fórmulas mágicas. Homens e Mulheres se esbarram em busca da convivência ideal, mas se esquecem de esquecer os modelos existentes.
Medrosos dos desejos mais íntimos, das memórias inconfessáveis, das atitudes impensadas, engessam-se num mundo esquisito, onde a liberdade e a espontaneidade desaparecem e viram tristeza, amargura e solidão. Trancados na caretice, nas regras, nas convenções sociais e nos consultórios psiquiátricos atropelam-se sem parar, fazendo vítimas em cada esquina.
Para a seleção da Oficina Compartilhada
domingo, 10 de abril de 2011
Recomeço
Dividíamos cama e sonhos. E fui chamada a escrever seu epitáfio. No momento de transformar em palavras o homem que tão bem conheci, fiz uma viagem secreta aos anos findos de amiúde convivência. Era preciso ameaçá-lo para ser tratada com decência. E o silêncio seguia por dias. Eu, chorando miúdo e enfiando bilhetes por debaixo da porta. Ele, entrando e saindo colado ao telefone celular, transbordando indiferença.
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
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