Aquele que procura faíscas...
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Da Solidão Sem Fim

Os milhares de barulhos lá fora gritam minha solidão no quarto escuro. Acendo uma vela que me faz companhia. Venta forte e vem cheiro de chuva por baixo da cortina pesada. O relógio do telefone marca 3:34. A cama é grande e não consigo dormir. Antes de se apagar, a chama aumenta. Assim é minha falta de sono. Que resiste e insiste antes de se despedir dos olhos abertos. Barulho de alguém acordado. Seria no quarto ao lado? Ou num canto dentro de mim? Barulho de água. Mais vento. Moringa, torneira ou chuva? Fecham a porta. Uma porta? São tantas. A chama da vela dança. Barulhos. São tantos. E os caminhos para o coração? Esses caminhos do coração....
Vela apagada.
Sono.
Cera.
Chão.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Confuso Horário


Rolava na cama e nada. Ficou com fome e resolveu comer duas bolachas salgadas com requeijão e uma fatia fina de peito de peru defumado. Já era tarde, mas com o estômago reclamando não tinha jeito, não conseguiria dormir.

O exílio voluntário permitiu que ela se conhecesse melhor. Já não mais se incomodava com os longos dias consigo mesma. Mas com as noites sim... Já havia tentado de tudo, mas o quentinho do corpo do homem acamado fazia uma falta danada.

Rolava e nada... Vinham ideias na cabeça e ela acendia a luz de cabeceira para tomar notas. Fragmentos de contos, as bonequinhas do livro infantil, a consultoria sobre redes sociais, a estrutura do livro burocrático e até a assessoria política... Tudo girava e só não era pior do que enjôo de birita. “Saco!”, esbravejava em voz alta.

Acordava e tinha uma rotina boa: água, leitura, café, escrita, cozinha, escrita, lanche-almoço, leitura, exercícios, caminhada boa, lerê, lerê, banho, vinhozinho, leitura, escrita e, finalmente, beijo melado... Embora detestasse rotina, essa era a melhor delas.

Nada... E quando eram assim as noites mal dormidas, afogava-se num copo cheio de fantasias e deixava a madrugada tomar conta de seus devaneios até que conseguisse dormir.

Para a seleção da Oficina Compartilhada


terça-feira, 12 de abril de 2011

Enregelamento

Sinto tanto frio que chego a pensar se não é saudade disfarçada de climatempo...

E de tanto lutar contra o frio e o sono, perdida em filosofias pós modernas, decidi colocar uma meia quentinha e tomar duas valerianas, porque insônia em véspera de lua cheia provoca pensamentos contraditórios, que o Ministério da Saúde Adverte.