Aquele que procura faíscas...
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Falácias e vidas despedaçadas

Falam, falam
E choram
Vítimas do mundo
mundanas
Coitadas, sempre sofridas
Chamam atenção e competem
Querendo ser sempre ouvidas
Passam por cima sem pesar
Pensam que se ocupar é amar
Esquecem-se das vísceras
Das premissas
Do caráter
E da própria carne
Engolem tudo
e enfiam tudo
Goela abaixo
E choram
E reclamam
Não acham que
estão por baixo
Pobres mundanas
Vítimas do mundo
Não sabem ainda o que é o castigo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mundo Inventado






Eu sei que a vida deu uma volta enorme. Mais do que isso, eu sei. Mas eu sei também que comi cada cheiro de poeira que passou pelo meu caminho. Eu quis te dizer isso o tempo todo e quis também demonstrar, sem sucesso - pois ao mesmo tempo fugi de medo. Pavor! 

Hoje minha cama está vazia. Mas ela nem sempre está vazia... Só que, mesmo cheia, não fica quente de jeito algum. Ou nunca ficará... Te liguei com uma desculpa esfarrapada, é verdade. Eu não te esqueci e não vou esquecer jamais. Não é parte de nenhuma doença esse revelar. É parte da minha sanidade. Eu posso ser feliz com um mundo inventado - eu nasci para inventar. Escrevo sobre vidas e reinvento a minha o tempo todo. E não tem nada que me traga mais felicidade do que relembrar o que vivemos.... 
Me desculpe, mais uma vez, por evocar um passado presente. Eu vou te amar pra sempre. Intensamente. Mas vou amar um ser que não existe mais. Um brinde ao presente futuro. Ou seria futuro presente?
 
Para a seleção da Oficina Compartilhada

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vestido Envelope

Assustada demais com a coincidência, não conseguiu deixar de comentar com seu irmão sobre a data que veio na cabeça um dia depois do aniversário do primeiro casamento. Treze de junho de 2004. Foi o exato dia em que tudo começou.

Levantou-se cedo e escolheu a roupa que vestiria para o encontro. Não queria nada muito ousado, mas gostaria que fosse algo elegante que insinuasse suas belas formas. Escolheu um vestido sóbrio, porém decotado e marcando a cintura, do tipo envelope. “Genial a Diane Von Furstenberg, não existe nada mais feminino do que o wrap dress”, pensou alto sobre a estilista que entrou para a história.

Era a primeira vez que sentia-se sedutora. Lembrou-se da propaganda antiga do sutiã e achou que a primeira sedução também nunca é esquecida. Aquele homem seria dela e os dois mudariam seus rumos só porque ela acordou com vontade de ser dona do próprio caminho.

Já era hora de desafiar o mundo e seguir seu próprio coração em busca de satisfação pessoal. Era chegada a hora de tirar as próprias conclusões e sofrer as consequências. Ao final, tinha certeza, o saldo seria positivo.

E acreditava mesmo no que pensava. Pegou a bolsa e, sem nem mesmo passar maquiagem, saiu de casa para o encontro que transformaria a sua vida pelos próximos dez anos.

Para a seleção da Oficina Compartilhada