Falam, falam
E choram
Vítimas do mundo
mundanas
Coitadas, sempre sofridas
Chamam atenção e competem
Querendo ser sempre ouvidas
Passam por cima sem pesar
Pensam que se ocupar é amar
Esquecem-se das vísceras
Das premissas
Do caráter
E da própria carne
Engolem tudo
e enfiam tudo
Goela abaixo
E choram
E reclamam
Não acham que
estão por baixo
Pobres mundanas
Vítimas do mundo
Não sabem ainda o que é o castigo.
Aquele que procura faíscas...
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Batalha Indecisa
Entrar nas sombras, desaparecer, reaparecer e abraçar a certeza.
Viajar nos sentimentos é caminhar na busca pela felicidade?
Destruir tudo para reconstruir.
E reconstruir para reinventar...
Querer as sobras para fenecer, renascer e aceitar a incerteza.
Viajar nos pensamentos é caminhar na busca pela coragem?
Morrer um pouco para não julgar.
E viver demais para perdoar...
Se entregar ao desconhecido para se perder, se encontrar e aceitar a derrota.
Viajar nos caminhos é aceitar que a vida tem espinhos?
Amar no instante para esquecer.
E amar bastante para escolher...
Viajar nos sentimentos é caminhar na busca pela felicidade?
Destruir tudo para reconstruir.
E reconstruir para reinventar...
Querer as sobras para fenecer, renascer e aceitar a incerteza.
Viajar nos pensamentos é caminhar na busca pela coragem?
Morrer um pouco para não julgar.
E viver demais para perdoar...
Se entregar ao desconhecido para se perder, se encontrar e aceitar a derrota.
Viajar nos caminhos é aceitar que a vida tem espinhos?
Amar no instante para esquecer.
E amar bastante para escolher...
domingo, 10 de abril de 2011
Recomeço
Dividíamos cama e sonhos. E fui chamada a escrever seu epitáfio. No momento de transformar em palavras o homem que tão bem conheci, fiz uma viagem secreta aos anos findos de amiúde convivência. Era preciso ameaçá-lo para ser tratada com decência. E o silêncio seguia por dias. Eu, chorando miúdo e enfiando bilhetes por debaixo da porta. Ele, entrando e saindo colado ao telefone celular, transbordando indiferença.
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
E quando finalmente tínhamos coragem de priorizar o amor, a conversa vinha carregada de autoritarismo. “Essa é a vida que eu quero ter”, afirmava Pedro com veemência. “Não me divorciei para ter uma vida normal.” E, no entanto, se negava a ser feliz, enchendo a tão escolhida vida de agora com a mesma infelicidade de outrora. Como se o sentimento de insatisfação lhe fosse necessário para continuar no controle.
Há muito tempo atrás Pedro casara-se com a insatisfação, e não havia jeito de abandoná-la mesmo trocando de mulher, de vida, de casa. A insatisfação vinha como a certeza da morte e lhe fazia infeliz em qualquer circunstância, a menos que se entorpecesse. E assim estava fadado a passar o resto de sua vida. Tendo um relacionamento íntimo e fiel com a insatisfação e com o antídoto para fazer as noites mais felizes que os dias.
Mas tudo não passava de um paliativo, e a alegria esfuziante da mulher amada o bombardeava por dentro e lhe rasgava a esportiva. De onde vinha tanto brilho, mesmo na consciência da derrota? Seremos todos derrotados pelo desconhecido, talvez amanhã mesmo. De onde viria aquela luz, aquela faísca invejável de otimismo, que ao mesmo tempo em que era sugada e absorvida por ele para seguir adiante; era banalizada e negada como o sentimento dos medíocres?
E quando o fardo se tornava pesado demais e a vida sem graça demais, fazíamos as pazes. Ele abria os braços e deixava que eu o enchesse de amor e segurança. Planejávamos viagens regadas a fantasias, mas logo adiante a sombra da insatisfação acenava cínica e estonteante, lembrando ao que era doce que aquilo não duraria muito. E o que estava delicioso e leve acabava não durando o que merecia, pois a sombra tomava conta de tudo com uma força imbatível e virava um desastre natural... Acabando com tudo o que era colorido pela frente...
Para a seleção da Oficina Compartilhada
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Quarta de Cinzas
Às vezes minha alegria
É um estado de tristeza
Porque mesmo triste, alegre estou
Às vezes nem tudo passa
Mergulhando na cachaça
Ou bebendo o que restou
Por falta de sorte
Quantos versos lancei à morte?
Por descaso, diria ao certo meu caro irmão
Que outrora havia sequer conquistado seu ganha pão!
E, de repente, como num vendaval
Minhas lamúrias impetuosas
Viravam marchinhas de Carnaval
Merecidamente, pensaria eu
Já que sempre corri atrás
Mas às vezes mesmo o Mundo
Se sem sentido, não satisfaz
Quando me peguei finalmente escrevendo
Me deu um alívio, estou vivendo!
E o medo a me perguntar
Será que vai acabar?
Mas logo percebi
Bobagem!
Há tempos não tinha coragem
E o grande lance é tentar
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