Aquele que procura faíscas...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Ervas Daninhas


Prefiro a vida breve de uma borboleta a viver mil anos com o peso de ter secado um rio.


Cinzas Coloridas

Fazendo as pazes com a solidão
Encontrei o não

Não quero gente intrometida
Não quero amizade falida
Não quero escolha arrependida


Quero que a estrela brilhe
E que a chuva molhe
Quero abraço apertado
E não quem faz corpo mole

Quero sol azul de bicicleta
Praia, bosque
Pra sair na rua

E quero dia chuvoso
Cinza de preguiça, cama e eu, nua
Pra ficar na minha
Junto com você, na sua

Quero focar pra distrair
E sorrir pra me alegrar
Quero férias
Pra de mãos dadas caminhar

Sair correndo
E num mergulho, cair no mar
Quero você na minha vida
E desse jeito poder te amar




Desfolhando eu vôo





Aguardando o Outono chegar
Descasco

Desnudo e revelo
Nua

Inteira de mim
Crua

Fico à vista
No meio da rua


E acabo entregando mais do que quero

Sem farda, capuz ou fantasia
Pois o Carnaval já acabou

Mas enroupar-se é preciso

E o Inverno vem em mim
Como se fosse solidão


Até que a Primavera chega
E me acompanha ao Verão

segunda-feira, 5 de março de 2012

This someone? It's not you.

Achei alguém melhor que você. E por que estou dando essa satisfação a mim mesma? Por que ainda não te esqueci? Por que quero em voz alta ouvir? Ou por que achei que não ia conseguir? A última é a resposta válida. Eu tinha certeza de que não conseguiria. E no entanto a vida é cheia de surpresas. Mas me engano. 

Apesar de ter conseguido, você está aqui, entranhado em mim. Estou impregnada de você. 

Cheia de ti até o pescoço, sem falar na alma.
Quando penso em vidas passadas e karmas e morte, penso em ti. Penso no todo que erramos e em tudo que deixamos. Penso nos erros, penso nos acertos, penso em todas as feridas. E penso na minha sorte. Sorte de poder seguir em frente e engolir todo o resto que está por vir. Penso muito e no entanto deveria pensar muito pouco. Sempre que penso realizo menos. 

Funciono melhor no instinto. 

Principalmente enquanto sorvo um vinho tinto.

Devaneios

Saio entusiasmada pra escrever e me distraio com mensagens virtuais
Serão elas reais?
Será que existo?

Tinha na cabeça a mensagem perfeita
Agora perdi
Puta merda

E a cerveja no fim

Medo de quê?
Medo da vida
Medo de morrer?

Preciso carregar meu caderninho com esse medo de morrer

Mal Comparando

Soberba disfarçada é pior que mentira, se é que dá para comparar. À mentira você pode recorrer por ter sido pego de surpresa, por descuido ou motivos nobres (embora a maioria diga que nunca justifica). A soberba não dá para defender de jeito algum, carrega consigo uma inveja silenciosa que cedo ou tarde acaba vazando.

Luiz tinha uns 40 anos e andava com uma galera mais jovem. Até Roberto deslanchar e aparecer com um carro novinho, Luiz vivia pelando o saco do amigo. Os dois não eram muito chegados no dia a dia, mas eram parceiros. A galera era a mesma, pois estudavam juntos e escolheram trabalhar no mesmo ramo. Enquanto Roberto apagado permanecia, lá estava Luiz elogiando o camarada, recomendando, puxando o saco.

Muito talentoso, embora medianamente bem sucedido, Luiz era aclamado por todos, uma espécie de guru; e não economizava na autopromoção falsamente diluída. “Economizar por quê?”, pensava. “Já não sou tão bem recompensado com atributos físicos.... Se for um nerd popular melhor para a minha vida.”

E assim enganava a todos com sua falsa modéstia e seguia tentando disfarçar a soberba elogiando os amigos malsucedidos.
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Amizade Dietética

Querido quase amigo: tu és um chato. De galochas. E com essa afirmação terminei uma amizade que nunca bem começou. Pra falar a verdade nunca acreditei em amizade entre ex-amantes. Ouvi de um professor que isso tem outro nome, e chama-se infidelidade emocional. “I call this emotional infidelity!”, gritava o sensato senhor com os punhos cerrados.

É meio por aí mesmo. E introduziu a afirmativa veemente perguntando em tom de resposta: “Você fez amor com essa pessoa! Dormiram e acordaram nus lado a lado e talvez tenham feito planos de vida eterna! Como é que agora vocês vão ser amigos!?”. Nessa insistência acabamos nos machucando ou enchendo o saco mesmo, porque a intimidade prévia abre prerrogativa pra a ex-figura se intrometer na sua vida sem limites.

Realmente, pra mim não dá.

O meu caso até que é diferente. A paixonite não evoluiu justamente porque o cara é um mala sem alça, e tempos depois foi tentada a tal da amizade falida. Olha, fica até parecendo pretensão minha e tenho a impressão que você pode pensar que me acho super legal. Não é bem isso. Eu apenas me considero uma não-chata. O sujeito é mesmo chato pra xuxu e quanto mais tenta parecer descolado, mais enjoado fica.

Cheio de cuidados pra não extrapolar, termina sempre extrapolando. Do tipo que escreve o que pensa e depois apaga pra não dar bobeira. Não assume nem que pode errar. Vaidoso como todo chato que se preza, não suporta ouvir crítica, nem disfarçada de piada. Tá sempre na nova onda alimentícia. Já foi vegetariano, vegan, raw vegan, macrobiótico, lactovegetariano, frugivorista, freegan e a lista não pára.

Competitivo ao extremo, entra em qualquer debate cheio de convicções. E por ser muito inteligente e talentoso acaba estourando o saco de qualquer cristão. Quando o romance havia começado ouvi de algumas pessoas que ele era um desmancha bolinhos e foi até apelidado de brócolis por um conhecido, mas ele está mais pra xuxu mesmo. Pois bem, hoje em dia não aguento xuxu nem com camarão.

Quem não está preparado pra ver a beleza diversa que o ser humano tem com seus erros e limitações não merece entrar na minha dieta.
 
Para a seleção da Oficina Compartilhada