Aquele que procura faíscas...
sexta-feira, 7 de março de 2014
Leito de Morte
sexta-feira, 19 de abril de 2013
É claro que nada está claro
Eu. Por quê?
Muitas....
É claro que
nada está claro.
Eu tenho
mesmo que aguentar isso?
Sou eu a
responsável pelo desenrolar dos fatos?
Ou seria
apenas uma indicação de desapego?
Acredito
nisso
No livre
arbítrio
Palavras
escolhidas e usadas em dados momentos
Não quero
levar isso para dentro
Me
desobrigo
A partir de
agora.
Para todo o
sempre
Enquanto
durar.
Eu.
Estou
cansada do embate
Muito
cansada
Sempre quis
ser salva
Ninguém se
lembra de mim?
Por que?
Talvez
porque eu atropele?
Senso comum
Muitas
vezes não
Como hoje
Algo prevaleceu
e vi que estou sozinha
Que muitas
vezes estou sozinha
Muitas...
quarta-feira, 27 de junho de 2012
1.413
O dia parecia com outro qualquer. Mas não era. Levantou-se e fez a cama. Na cozinha, o café forte. Pensava no que a faria esquecer. Nada. Isso ficaria para sempre, como tantas outras lembranças boas ou ruins. Era hora de chorar quietinha. Chorava sozinha há tempos. Nunca gostou de colo. Mas desta vez não chorava pela solução que parecia absurda para uns e muito sensata para outros. Para ela tudo se encaixava. Chorava de cansaço.
Contudo, estava certa do que queria. Pensava que estava no lugar certo, fazendo a coisa certa. Não podia dar-se ao luxo de perder tempo. A vida é muito breve e fez tudo o que podia. 1.413. O número apareceu enquanto tirava a pasta virtual do campo de visão removendo os zeros da frente do nome dele. Não estava mais no topo de sua pirâmide. Seus e-mails não seriam mais prioridade. Suas vidas não mais se comunicariam. Era hora de andar para frente.
1.413. Podiam ter sido beijos, mas não foram... Assim como não foi o tempo de convivência em dias. Ou a quantidade de vezes que colaram o corpo um no outro. Tudo parecia pouco para o tempo que se relacionaram. Menos o número de mensagens virtuais. Dava mais de uma por dia. E foi o que fizeram mais assiduamente. Escreveram, escreveram, escreveram... No entanto esqueceram-se de fazer tudo aquilo que estava no papel.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Suplicando
Choro
sempre e acho graça de um tudo.
Busco em mim explicação, mas as
estrelas do céu me deixam mudo.
Meu desejo cala e sinto frio.
Sem você
na cama sou vazio.
Quando nos veremos novamente?
Preciso do seu toque, cheiro, amor.
Suas mãos me arrepiam de prazer.
O gosto macio do seu beijo faz falta toda hora
e não consigo te esquecer...
Volta pra mim assim que ouvir minha súplica.
Por mais quanto tempo ficaremos sós?
Cada qual em seu canto sem conter o pranto,
sufocando fundo, lamentando, engolindo a voz...
Preciso do seu toque, cheiro, amor.
Suas mãos me arrepiam de prazer.
O gosto macio do seu beijo faz falta toda hora
e não consigo te esquecer...
Volta pra mim assim que ouvir minha súplica.
Por mais quanto tempo ficaremos sós?
Cada qual em seu canto sem conter o pranto,
sufocando fundo, lamentando, engolindo a voz...
Desengaños
Acordou com dores no corpo.
Tensão.
Expectativas frustradas trazem desencanto com a vida.
Sofrimento e confusão.
É possível ser feliz sim, mas todos devem ter histórias
tristes para refletir e compartilhar. As dificuldades criam caráter. Sua
infância foi extremamente alegre. Rica de experiências. Aproveitou tudo o que a
Natureza tinha para oferecer e ganhou muito carinho. Claro que apanhou também.
Todos na sua casa tinham sido surrados, exceto o caçula, que ainda assim achava
que não recebeu a devida atenção... Nem por isso guardaram rancor. Hoje em dia
dramatizam tanto a educação dos pais que tudo pode virar trauma. Agora se via
diante de mais um desafio. Mas iria enfrentá-lo de cabeça erguida. Sem rodeios.
Sem fazer tipo. Mas no seu tempo.
♫ Yes I need more time just to make things right. ♫
O Dedão
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Já meio embriagada virava para cima e para baixo a carta do
estrangeiro. De tanto carregar o pedaço de papel para todo canto o mesmo já
começava a romper-se no meio. Resolveu inspirar fundo, relaxar o maxilar e
fitar o corpo novamente, com a carta por cima do líquido inebriante.
A carta ainda estava lá. O amor ainda estava lá. Só quem não
estava lá era ele. Havia virado o patuá de cabeça para baixo e em seguida ficou
tão pensativa que coçou a orelha esquerda, enquanto o pé do mesmo lado repuxava
num pouco de câimbra na sola.
A esta altura os movimentos involuntários estavam quase que
incontroláveis e a rapariga coçava um pouco o cabelo, o rosto, tocava o anel do
polegar direito e sorria para o nada. A circulação dava sinal de problema e ela
mexia o dedão sorrindo para o pé pressionado pelo seu corpo cansado.
As coxas firmes tinham marcas arroxeadas. Era muito
desastrada. Saiu da posição em que estava. Tirou o foco de si mesma. Do lado de
fora os bichos cantavam e ela não se sentia mais encurralada. Era o dia que
chegava e assim o medo ia embora.
Sentia-se quase livre. “Nos dias de hoje, o quase é pleno.”,
pensava. “Foda-se a gramática!” Sentiu um cheiro estranho e cansou-se de ter o
olfato apurado. Estalou o maxilar e esfregou a sobrancelha esquerda. O ombro direito
foi o seguinte. E coçou a da direita arrumando e alisando o nariz quase que ao
mesmo tempo.
Olhou suas mãos. Os cantos dos dedos doíam do insistir
manual, mas a cabeça estava feliz, porque era tempo de festa. Ela não queria
saber de lamúrias, pois as borboletas vivem pouco e morrem livres porque dão
valor ao tempo. Olhava o dedão novamente. E a câimbra corria até a batata da
perna.
Tudo culpa do dedão.
A Cachorra: rompantes, empavonamentos e outras neuróias
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Surtou...
Do
nada?
Neurótica!
Diziam...
Mas
a verdade é que era muito sã. E de tão sã adoeceu até a Cachorra, que uivava de
noite quando a lua saía de mansinho. Pensava ser um gato alado, coitada. E
queria sair voando e miando sem parar.
Certo
dia chegou em casa e a pobre peluda estava lá, sentada na poltrona de pernas
cruzadas. Sim! Pernas cruzadas! Contavam... Mas a verdade é que já tinha feito
isso outras vezes, não fosse o espantamento pelo fato de estar de avental.
Pensava ser chef de cozinha, tadinha. E esperava a cliente chegar para montar a
praça. Mas a surtada apenas abria o pacote de ração e despejava na tigela
escrita Bob (!). Em seguida, servia-se de um trago e ia dormir. Nem um afago.
Nem uma palavra. Nada.
Espalharam
por aí que a última vez que a viram antes do romance com o motorista da
carrocinha tinha eclampsias sem estar grávida... Ele fora o primeiro de sua
vida a lhe dar uma salsicha. E pegou infecção intestinal por isso, ainda por
cima.
Coitada
da Cachorra...
No
entanto, ainda viveu um bom tempo, terminando o dia em gargalhadas
aterrorizantes. Não sem antes entrar em coma profundo e dar um trabalho danado,
afirmavam... Era contra a eutanásia e propositalmente ajeitou um testamento que
deixava tudo para a vizinha que lhe jogava pedaços de galinha na intenção de
sufocá-la antes de uma noite uivante.
A
vizinha sabendo disso, entre um trago e outro, atirou-se copiosamente no caso
da Cachorra e checava-lhe as necessidades a cada hora, limpando-a e
perfumando-a de gratidão. A quadrúpede continuava gargalhando cada vez mais
maquiavelicamente, só que agora sem ninguém ouvir.
Em
seu epitáfio, Cachorra mandou o Papagaio escrever: “Aqui jaz uma mosca morta.”
E o Grilo Falante discursou a única coisa que a peluda deixou escrita:
Fodemo-nos todos!
Fim.
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